segunda-feira, 30 de junho de 2008

Apóstolo Pedro liderou cristãos romanos, mas nunca foi papa, dizem historiadores

Católicos do mundo todo vêem São Pedro como o protótipo dos papas, o homem que fundou a sucessão ininterrupta de líderes da Igreja que chega até Bento XVI, mas o papel real do "príncipe dos apóstolos" provavelmente foi bem mais modesto, afirmam historiadores. Embora seja bem possível que Pedro tenha vivido, pregado e morrido em Roma, ele não fundou um governo centralizado da igreja romana, o qual demorou séculos para emergir.

Mais importante ainda, embora a igreja de Roma tenha conquistado desde cedo uma posição de destaque entre as comunidades cristãs espalhadas pela bacia do Mediterrâneo, as outras igrejas não creditavam o prestígio romano ao "papado" de Pedro, mas ao fato de que tanto ele quanto seu companheiro de apostolado, São Paulo, haviam pregado a palavra de Jesus e morrido em Roma. É o que diz um texto escrito por volta do ano 180 pelo líder cristão Irineu de Lyon.

Segundo Irineu, a comunidade de Roma havia sido "fundada e organizada pelos dois gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo". "Para Irineu, a competência da igreja de Roma provinha de sua fundação pelos dois apóstolos, Pedro e Paulo, não só por Pedro", resume o historiador irlandês Eamon Duffy, da Universidade de Cambridge, em seu livro "Santos e Pecadores: História dos Papas".

Chegando mais tarde

Na verdade, a situação era ainda mais complicada do que Irineu imaginava. Tudo indica que a comunidade cristã de Roma foi fundada por um anônimo seguidor de Jesus, provavelmente um judeu da Palestina que se juntou aos dezenas de milhares de membros da comunidade judaica da capital do Império Romano. São Paulo, ao escrever para os cristãos de Roma na década de 50 do século 1, em nenhum momento menciona a presença de Pedro na cidade.

No entanto, sabemos pelos Atos dos Apóstolos, livro do Novo Testamento escrito no fim do século 1, que Paulo acabou indo para a cidade para ser julgado pelo imperador romano num processo que estava sofrendo. E outros textos, também do fim do século 1 e começo do século 2, dão conta de que tanto Paulo quanto Pedro foram mortos durante a perseguição contra os cristãos ordenada pelo imperador Nero entre os anos 64 e 67. A tradição sobre o martírio é relativamente próxima dos eventos, embora não esteja registrada na Bíblia, e há pouca razão para duvidar que os santos morreram mesmo na "Cidade Eterna".

Pescador impetuoso

Para o padre e historiador americano John P. Meier, professor da Universidade Notre Dame e autor da monumental série "Um Judeu Marginal" (ainda não concluída) sobre a figura histórica de Jesus, o Novo Testamento traz uma série de informações importantes e confiáveis sobre Pedro. Originalmente, ele era um pescador da Galiléia (norte de Israel), casado, e aderiu ao grupo de discípulos de Jesus junto com seu irmão André. O nome de seu pai era João ou Jonas, e seu nome original era Simão.

O mais provável é que Jesus tenha dado a ele o apelido aramaico de Kepa (ou Kephas, como escreve São Paulo), "pedra" ou "rocha", depois traduzido como Petros, ou Pedro, em grego. Todos os evangelistas o apresentam como o principal membro do grupo dos Doze Apóstolos, ou como o porta-voz deles, e também retratam-no como um homem ao mesmo tempo generoso, extremamente apegado a Jesus, cabeça-dura (talvez uma relação irônica com seu apelido), indeciso e dado a súbitas mudanças de opinião.

Em suas cartas, São Paulo relata um relacionamento tempestuoso com Pedro. Ao se converter à fé em Jesus (Paulo, judeu com cidadania romana, antes perseguia os cristãos), Paulo teria passado alguns anos sozinho até ir a Jerusalém e falar com Pedro e outros apóstolos. Depois, conseguiu convencer o grupo original de seguidores de Jesus que os pagãos também poderiam ser convertidos, mas entrou em conflito com Pedro, chamando-o de hipócrita. É que Pedro foi visitar a comunidade cristã de Antioquia, na Síria, e inicialmente fazia suas refeições com os crentes de origem pagã, coisa proibida pela lei judaica. No entanto, quando outros judeus cristãos apareceram na cidade, ele parou de fazê-lo, o que provocou a reprimenda de Paulo.

As chaves do Reino dos Céus

Há indícios de que, antes de ir para Roma, o santo passou por Antioquia e por Corinto, na Grécia.

John P. Meier afirma que a "profissão de fé" extraordinária de Pedro provavelmente é um fato histórico, por estar registrada nas diversas fontes usadas pelos evangelistas para compor suas narrativas. Também não duvida do papel de liderança de Pedro na Igreja primitiva. No entando, diz acreditar que a promessa de Jesus não é histórica, justamente porque ela usa a expressão "igreja" -- que praticamente não aparece nos textos do Novo Testamento que tratam da vida de Jesus. Para ele, Mateus "retrojeta" uma situação da Igreja primitiva para a época em que Cristo ainda estava vivo.

Mais importante ainda para a questão do "papado" de Pedro, escreve Eamon Duffy, é o fato de que Roma aparentemente não tinham um bispo único até por volta do ano 150, ou seja, quase um século após a morte do apóstolo. É bom lembrar que, originalmente, o papa era o bispo de Roma, que recebia especial atenção de seus pares por governar a comunidade cristã onde tinham sido martirizados Pedro e Paulo. No entanto, vários documentos do começo do século 2, escritos para a comunidade de Roma e por membros dela, em nenhum momento fazem menção a um bispo, mas apenas aos "anciãos da igreja" ou "dirigentes da igreja".

Para Duffy, a explicação mais provável é que a unificação do comando da igreja romana nas mãos de um só bispo veio mais tarde, por causa de uma série de pressões externas e internas, entre elas o surgimento de heresias poderosas, que contrariavam os ensinamentos cristãos originais. Como forma de defesa, as igrejas, entre elas a de Roma, teriam instituído a "monarquia" dos bispos.

Fonte: G1

Mais uma: Pastor afirma sofrer ameaças de deputado federal

O pastor Rogério Rocha Xavier, de 50 anos, superintendente da 20ª região da Grande Belo Horizonte da Igreja do Evangelho Quadrangular, responsável pela administração de 14 templos, é um homem que diz temer por sua vida e da sua família.Ele afirma que atraiu a ira do deputado federal Carlos William (PTC/MG), em 2003, quando assumiu a defesa intransigente do também deputado federal Mário de Oliveira, presidente nacional da igreja, depois do rompimento entre os dois parlamentares por questões políticas. Desde então, o pastor conta que sua igreja foi vítima de assaltos estranhos, denúncias falsas à polícia e uma ameaça explícita de morte. Para se sentir mais seguro, a queixa do crime de ameaça foi registrada na Delegacia Distrital Noroeste, em 8 de janeiro deste ano, mas a insegurança ainda ronda sua vida. Há 10 dias, uma de suas igrejas em Contagem foi novamente invadida. Os ladrões não levaram nada, mais um vez.

Na ocorrência (veja arte), o pastor Rogério relata que depois de uma reunião na igreja, em Contagem, um colega o informou de que, naquele dia, seu carro foi cercado na Praça da Cemig por uma blazer preta, na qual estava o deputado Carlos William. Segundo o relato, o parlamentar desceu do carro falando palavrões e foi em direção a ele gritando: “Avisa ao pastor Rogério que eu vou pegar ele. Vou acabar com a raça dele”. Depois deste incidente, afirma, ele percebeu que sua casa era freqüentemente vigiada por pessoas estranhas, a polícia foi informada da existência de um crime envolvendo seu filho, que era falsa, e a igreja sofreu pelo menos dois roubos, sendo que no primeiro o alvo dos assaltantes era apenas os documentos pessoais de Rogério e de sua mulher.

Gravações de telefonemas, feitas pela Polícia Federal com autorização judicial, também captaram diálogos onde Carlos William diz ao seu assessor parlamentar Charles Santos Sousa, em junho do ano passado, que quer “arrebentar” com o pastor de Contagem. Hoje, o pastor Rogério se sente um homem traído, já que num passado não muito distante acolheu em sua casa Charles e também foi um importante cabo eleitoral de Carlos William em sua primeira campanha política para vereador. Copos e talheres de sua casa foram parar no comitê de William e foi ele quem indicou Charles para trabalhar. “Não conheço Carlos William. Trabalhei para ele a pedido do pastor Mário de Oliveira e, nunca, fiz nenhuma pregação citando o nome dele, o denegrindo”, diz Rogério

AVIÃO

Nos diálogos captados pela PF é justamente Charles quem coloca mais pimenta na já comprometida relação do pastor com Carlos William. Ele conta ao chefe que o pastor Rogério dizia ao fiéis que Carlos William teria recebido de traficantes um avião para tirá-los da cadeia. Não cumpriu a promessa e ficou com a aeronave. O deputado não se contém e diz que quer “meter um ferro no pastor”, para depois perguntar se existem pessoas que ouviram as acusações para depor na Justiça. Com certo constrangimento, Charles informa a William que foi a sua futura sogra, Maria Geralda de Jesus, ex-pastora da igreja de Rogério e funcionária do gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, quem lhe falou. “Pior que foi só ela que ouviu”, diz. As ligações de Charles com a igreja do pastor Rogério são antigas. Ele é noivo da ex-secretária do templo Cláudia Renato de Jesus, filha de Maria Geralda, o que facilita seu acesso a informações privilegiadas dos aliados de Mário de Oliveira.

Resposta

O deputado Carlos William negou que tivesse qualquer intenção de atentar contra a vida do pastor Rogério Xavier. Disse ainda que desconhece a existência de uma ocorrência policial contra ele e vai mais longe para tecer elogios a ele. “É um bom pastor e me ofereceu seu apoio quando fui candidato a vereador.” O parlamentar, entretanto, admite que, de fato, não gostou das acusações de que teve em suacarteira de clientes traficantes, os quais teria roubado. “Ninguém ia gostar de uma coisa dessa”, afirma Carlos William. Ele explicou que ao falar com o assessor que gostaria de “meter um ferro” no pastor estava se referindo a processá-lo, o que fica evidenciado no diálogo, quando demonstra sua preocupação sobre a existência de uma testemunha que possa confirmar as acusações feitos pelo evangélico.

Fonte: UAI / OVerbo.com.br