terça-feira, 29 de julho de 2008

Igreja Católica sofrerá grande crise interna, afirma Leonardo Boff

A Igreja Católica sofrerá uma "grande crise interna" porque os milhões de católicos do mundo não têm uma representação adequada nos assuntos administrativos do Vaticano, declarou o teólogo Leonardo Boff, promotor da Teologia da Libertação, nesta segunda-feira (28).

"A futura crise na Igreja Católica se dará, porque no Vaticano não se encontram todos os genuínos representantes dos católicos no mundo", disse Boff, em conversa com os jornalistas, após uma visita ao presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, bispo católico suspenso pelo Vaticano por se dedicar à política.

"Na maioria dos países latino-americanos, pratica-se o catolicismo e existe a maior quantidade de praticantes dessa religião do que em outros continentes", avaliou Boff, insistindo em que "esses católicos não estão bem representados".

Quando era cardeal, chefe da Congregação da Doutrina da Fé, o agora papa Joseph Ratzinger puniu Boff por sua pregação em favor da Teologia da Libertação.

"O crescimento zero da Igreja Católica no planeta" é outro fator que atiçará sua crise interna, vaticinou Boff.

Durante seu encontro com Lugo, que tomará posse em 15 de agosto, o religioso brasileiro se pôs à sua disposição para assessorá-lo.

Retirado de FolhaOnline.com.br

Igreja Católica trabalha para reverter a perda de fiéis no RS

Considerado um dos assessores mais importantes do papa Bento XVI, o cardeal dom Cláudio Hummes esteve domingo em Santa Cruz do Sul, onde presidiu a ordenação episcopal de dom Irineu Gassen. Em entrevista coletiva, ele analisou a migração de católicos para outras igrejas e disse que, com um trabalho missionário, essa situação poderá ser revertida.

Natural de Montenegro, Hummes era arcebispo metropolitano de São Paulo até outubro de 2006, quando foi convocado pelo papa para ser o prefeito da Congregação do Clero, considerado um dos setores mais importantes do Vaticano. Hoje, coordena o trabalho de 407 mil padres espalhados pelo mundo.

Em uma das salas do bispado de Santa Cruz, o cardeal concedeu entrevista coletiva no domingo à tarde. Ao menos em três momentos, ele apelou aos bispos e padres, e aos católicos praticantes, para que realizem um trabalho missionário, conforme decisão tomada no congresso de Aparecida, no ano passado. Frisou que não se trata de nenhuma disputa com outras igrejas, mas sim de um compromisso. “Nós temos a obrigação de trazer de volta aquelas pessoas que nós batizamos e que estão afastadas da nossa igreja.”

Salientou que os bispos, padres e outros religiosos devem ser missionários e que não devem apenas evangelizar as pessoas que vão às igrejas. “Precisamos sair, de forma organizada e entusiasta, e levar o evangelho lá onde as pessoas moram.” Também disse que os católicos têm a obrigação de evangelizar seus filhos. Para ele, cada família deve ser uma igreja doméstica.

Segundo o cardeal, as estimativas indicam que hoje 68% dos brasileiros são católicos. Frisou que apenas no próximo censo do IBGE será possível apurar se esse percentual aumentou ou diminuiu. Disse que algumas fontes da igreja avaliam que a migração de católicos para outras religiões estaria diminuindo, mas não existem números oficiais. “Mas tenho certeza de que, se sairmos em busca das pessoas, podemos reverter qualquer realidade.”

Números de padres cresce pouco

Levantamento realizado pelo Vaticano, no final do ano passado, revela que está havendo um pequeno aumento no número de padres. No entanto, ele não está sendo capaz de acompanhar o crescimento populacional. O maior incremento tem sido registrado na África, Índia e Coréia do Sul. Mas são números absolutos, já que são países onde a tradição católica ainda não é grande.
Dom Cláudio revelou que existe muita preocupação em relação à Europa, onde a igreja está constatando o envelhecimento do clero. “O número de idosos é maior do que o de jovens, quando deveria ser o contrário. Essa inversão da pirâmide é preocupante.”

Retirado de oVerbo.com.br

O sofrimento dos cristãos de Chakma

BANGLADESH - Das 13 tribos de Bangladesh, Chakma é considerada a maior. Quando os ingleses deixaram a Índia em 1947, a população de Chakma em Chittagong Hill Tracts esperava se tornar parte da Índia. A maioria deles era budista, por isso, os chakmas se consideravam mais hindus pertencentes à Índia do que muçulmanos do leste do Paquistão (atual Bangladesh).

Hoje, a população de Chakma está dispersa em áreas montanhosas isoladas. Eles lutam pela independência de suas próprias terras de cultivo, já que a maioria dos habitantes são fazendeiros.

O ressentimento crescente do povo de Chakma contra o governo de Bangladesh tem resultado em conflitos étnicos, deixando muitos em situações de indigência ou em condições de refugiados. As dificuldades que enfrentam cresceram ainda mais quando eles se tornaram cristãos.

Durante os primeiros quatro meses de 2008, três incidentes isolados envolvendo os cristãos de Chakma aconteceram nos distritos de Khagrachari e Rangamati, Chittagong Hill Tracts, no sul de Bangladesh.

Apesar de não ser confirmado que os incidentes tivessem motivações religiosas, os cristãos de Chakma foram presos sem mandados, tirados à força de suas terras e pegos no fogo cruzado dos conflitos religiosos.

A Missão Portas Abertas pede a todos os cristãos do mundo que orem pelos crentes de Chakma.

Incursão contra os cristãos

Cerca de 108 famílias cristãs vivem há muitos anos em Upor Betchari, distrito de Khagrachari, e são maioria na região. Todas as sextas-feiras, os moradores de Upor Betchari alugam um transporte local, chader ghari, para descer as montanhas e ir ao supermercado da cidade comprar mantimentos.

Mas o dia 11 de abril de 2008, durante a madrugada, soldados foram à Upor Betchari, guiados pelo condutor de um chader ghari capturado, e prenderam alguns cristãos que dormiam, acusando-os de serem rebeldes e terroristas. Os cristãos foram levados a um acampamento do Exército a quilômetros de distância.

Alguns dos prisioneiros já foram libertados, no entanto, três cristãos permanecem sob a custódia do exército na prisão do distrito de Khagrachari: Ronjon (52), Pinto (22) e Ramendra (42). Foi reportado à Missão Portas Abertas que os três crentes têm sofrido agressões físicas na prisão.

Ronjon, Pinto e Ramendra são os únicos provedores de sustento de suas respectivas famílias.

Na aldeia de Hatambanala, distrito de Khagrachari, cerca de 200 muçulmanos bengaleses tomaram 150 acres das terras de 25 famílias cristãs Chakma, que viveram na região por séculos. A aldeia era predominantemente cristã até a chegada dos bengaleses.

Ameaças, acusações e conflitos

Desde então, muitos cristãos perderam seus empregos e muito do estoque de seus alimentos. Eles têm medo de enfrentar os muçulmanos, responsáveis pelo roubo de seus suprimentos, porque têm sido ameaçados.

Em uma ocasião, alguns cristãos tentaram desmatar árvores em busca de novas terras, mas foram impedidos por muçulmanos. Quando a situação se tornou insustentável, muitas famílias cristãs deixaram suas casas e se refugiaram no meio das florestas.

Os cristãos perderam não apenas suas casas para os muçulmanos, mas também seu lugar de adoração, a Igreja Batista de Hatambanala, quando em março, homens não identificados puseram fogo no templo, na tentativa de tomar as terras da igreja. A polícia investigou o incidente, mas ninguém foi preso.

Casas queimadas

No dia 20 de abril de 2008, 65 casas pertencentes ao povo de Chakma foram queimadas em Baghaichhari, no distrito de Rangamati. Oito delas pertenciam a famílias cristãs. Uma igreja na aldeia de Gangarammukh foi completamente destruída. O incidente foi um resultado de conflitos religiosos entre a tribo de Chakma e os muçulmanos de Bengala.

O incêndio das casas de Chakma foi atribuído ao Exército, sob o pretexto de ter sido realizado por causa de um projeto do governo que iria construir 153 novas casas. Até o momento, as oito famílias cristãs de Chakma são refugiadas em seu próprio país, sofrendo com a falta de comida e de outras necessidades básicas. Ore por elas.


(Fonte: Portas Abertas)