quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Festival de música cristã é proibido

No dia 16 de setembro, um oficial bielorrusso em Borisov proibiu que um festival de música cristã acontecesse, poucos minutos antes de começar.

As bandas cristãs, tais como Salvation – que seria a atração principal da primeira noite do evento – nunca tiveram problemas com as autoridades. Algumas delas estão entre as bandas mais populares de Belarus.

O festival gratuito de seis dias foi uma iniciativa da comunidade cristã local (católicos, ortodoxos e protestantes). “Seria nosso testemunho comum para Borisov, para mostrarmos que não estamos isolados, mas que cremos no mesmo Deus”, disse um dos organizadores, o padre Zbigniew Grygorcewicz.

Mais de 30 bandas cristãs de todo Belarus, cuja música trata basicamente de temas cristãos, concordaram em tocar de graça no festival. Havia-se planejado três shows por dia voltados para crianças, jovens e adultos. Vinte mil convites haviam sido distribuídos e foram encomendados 5 mil balões para as crianças.

Os organizadores tinham conseguido uma autorização por escrito do Estado para a realização do festival uma semana antes da data marcada para o evento. Eles seguiram a Lei de Demonstração de 2003, cujo Artigo 6 declara que as autoridades estão obrigadas a notificar aos organizadores de um evento a decisão de proibi-lo e dar seus motivos.

Entretanto, quando faltavam apenas 10 minutos para o início do show, a chefe do Comitê Executivo do Departamento Ideológico do Município de Borisov, Lyudmila Gornak, chegou à rua reservada, anunciou que o evento estava proibido de ser realizado e foi embora.

Líderes de igrejas oraram e a banda chamada Psalmyary (Salmistas) – que abriria o festival – tocou a música “Há um Deus em Belarus”. Os organizadores distribuíram exemplares do Evangelho segundo João para a platéia de aproximadamente 500 pessoas antes de darem o evento por encerrado.

Os representantes do Estado argumentaram que a permissão não estava mais válida, que haviam cometido um erro e que o evento não estava totalmente em ordem, mas não especificaram o que havia de errado. “Quando um evento desse porte é organizado, há a necessidade de receber aprovação da polícia, dos bombeiros e de órgãos ligados à segurança e à saúde, mas nós tínhamos tudo isso”, explicou Zbigniew.

Lyudmila Gornak insiste em que o festival não foi cancelado, mas adiado. E continua dizendo que o motivo foi que o pedido de permissão dos organizadores não correspondia às exigências legais e que havia erros. Ao ser questionada repetidas vezes, Lyudmila insistiu que dissera aos organizadores quais eram esses erros. Disse, também, que eles concordaram e que não houvera mais nenhuma reclamação.

Fonte: Portas Abertas

O festival cristão seria o primeiro evento desta natureza em Borisov, e as igrejas insistirão para que ele aconteça, promete Zbigniew. Os organizadores estão considerando um pedido de compensação pela perda que tiveram com a proibição.

Escritor diz que Demônio começou carreira como agente secreto de Deus.

Qualquer cristão com um mínimo de formação religiosa é capaz de fazer um breve resumo da carreira do Diabo: originalmente um anjo poderoso, ele teria se rebelado contra Deus no princípio dos tempos, induzido Adão e Eva a cometer o chamado pecado original e, ainda hoje, estaria pronto a induzir a humanidade a fazer o mal, manipulando tudo e todos nos bastidores.

O problema, afirma um livro que acaba de chegar ao Brasil, é que essa trama básica não estaria em lugar nenhum da Bíblia, mas teria sido montada por teólogos cristãos dos séculos 3 e 4, responsáveis por uma leitura um bocado criativa das Escrituras. Segundo essa visão, o Satanás bíblico não seria um rebelde contra Deus, mas uma espécie de "agente secreto" ou "chefe do FBI" divino, responsável por testar a lealdade dos seres humanos.

A tese polêmica está em "Satã - uma biografia" (Editora Globo), escrito por Henry Ansgar Kelly, professor emérito da Universidade da Califórnia em Los Angeles e autor de outros livros sobre a figura literária do Demônio. Kelly vai além da maioria dos outros estudiosos modernos da Bíblia, os quais, como ele, afirmam que as poucas aparições de Satanás no Antigo Testamento se referem a uma figura que é subordinada a Deus, e não inimiga do Criador. Para Kelly, no entanto, a situação não muda substancialmente nas menções ao Maligno no Novo Testamento.

"O Satã no Novo Testamento deve ser percebido como tendo uma posição equivalente a um Primeiro-Ministro, ou um Procurador-Geral da República, ou diretor do FBI, e não mais diabólico do que muitos dos mais zelosos representantes dessas posições aqui na Terra", escreve o pesquisador. A visão geral expressa nos Evangelhos e nos outros livros bíblicos do começo do cristianismo, segundo o autor, é que Satanás simplesmente toma gosto excessivo por suas funções de testador da humanidade, e por isso perde as boas graças de Deus, sendo expulso do Céu.

Problemas de nomenclatura

Antes de chegar a esse ponto, porém, Kelly tenta entender as primeiras aparições do personagem no Antigo Testamento, as quais são um bocado complicadas por problemas de nomenclatura. É que a palavra hebraica satan e seu equivalente aramaico satanah (o aramaico, é bom lembrar, era a língua provavelmente usada por Jesus no dia-a-dia) podem simplesmente funcionar como um substantivo comum, que significa algo como "adversário".

"Adversário" de quem, a propósito? Um dos poucos exemplos em que "o satã" (e não Satã/Satanás, como nome próprio) aparece na Bíblia hebraica é o livro de Jó. Nesse livro bíblico, um humano de altas qualidades morais e comportamento correto, o Jó do título, perde sua família, seus bens e sua saúde por instigação "do satã", que sugere a Deus um teste para a fé de Jó.

"No livro de Jó, 'o satã' é simplesmente um membro do Conselho Divino, um dos servos de Deus cuja função é investigar os acontecimentos na Terra e agir como uma espécie de promotor, trazendo os malfeitores à justiça", explica Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale (EUA).

"Quando Javé se gaba de seu piedoso servo Jó, o anjo-promotor simplesmente pergunta, seguindo sua função, se a fé de Jó é sincera", diz ela. Em algumas traduções da Bíblia, em vez de ser designado como "Satã", esse personagem é simplesmente chamado de "o Adversário". Aparentemente, ele é visto pelo autor anônimo do livro de Jó como um dos "filhos de Deus" -- expressão que se refere aos anjos que formam a corte divina.

Fonte: Gazeta Online