terça-feira, 14 de outubro de 2008

Portugal rejeita casamento gay

Ao contrário da onda liberalizante da Europa Ocidental, Parlamento lusitano veta projeto de lei que permitiria legalização de uniões homoafetivas no país.

Na contramão de diversas outras nações da Europa Ocidental, o Parlamento de Portugal rejeitou, nesta sexta-feira, uma proposta para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A decisão provocou a indignação da comunidade homossexual e de ativistas da causa gay, que dizem sofrer discriminação. A tradição católica do país, bem como o caráter conservador de boa parte de sua população, explicaria a posição dos parlamentares.

A proposta feita pelos pequenos partidos Bloco Esquerdista e Verde com vistas a derrubar a proibição existente atualmente foi rejeitada por ampla maioria da Assembléia Nacional, já que os socialistas, atualmente no poder e majoritários dentro do órgão, uniram-se à oposição de centro-direita. O presidente do Parlamento, Jaime Gaime, não forneceu os números sobre o resultado final da votação, mas disse que a proposta havia sido rechaçada. Do lado de fora da sede do Poder Legislativo, cerca de 30 manifestantes gays protestaram fingindo que se casavam.

“Estou aqui porque todos os cidadãos são cidadãos plenos em seus deveres, mas não em seus direitos. E isso é um erro muito grave em uma democracia”, protestava uma mulher que se identificou apenas como Joana e dizia ter se casado com sua parceira. Durante a sessão parlamentar, um manifestante chamou os deputados de “homófobos caquéticos”, sendo retirado instantes depois pela polícia. Embora a vizinha e também católica Espanha reconheça a união civil homoafetiva desde 2005, Portugal ainda hesita em adotar regra semelhante. O cardeal José Policarpo, patriarca de Lisboa, advertiu que permitir o casamento entre gays representaria uma “violação da família” portuguesa. “O que está em jogo é romper com uma profunda concepção da família”, disse o religioso, em entrevista à Rádio Renascença, controlada pela Igreja Católica.

Os defensores da mudança argumentam que a proibição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, incluída no Código Civil de Portugal, é inconstitucional, já que a Carta Magna de 1975, promulgada na época da redemocratização do país após a longa ditadura do general Salazar, proíbe a discriminação sexual. Pesquisas recentes mostraram que menos de 30% dos portugueses são favoráveis ao casamento entre pessoas do mesmo sexo – média consideravelmente inferior à apurada no restante da União Européia, que chega a 45 por cento.


Fonte: Cristianismo hoje

Evangélicos evangelizam em Fátima

PORTUGAL - Um grupo de dez estudantes de um seminário evangélico está desde sábado fazendo uma ação em Fátima para promover material bíblico e um site na internet com recursos de formação espiritual.

“Trata-se de uma oportunidade para eles conhecerem o que é uma dimensão da cultura católica e de abrir horizontes para outras sensibilidades cristãs”, disse ao PÚBLICO o pastor Paulo Pascoal, 40 anos, diretor do Seminário Teológico Baptista e responsável pela ação, que durará até ao final do dia.

“Não queremos fazer nenhum juízo, nem apologética, nem entrar em confronto com ninguém”, afirma Pascoal. Nem é para dizermos às pessoas que estão erradas”, insiste. Para os evangélicos, a devoção católica à mãe de Jesus é despropositada e sem fundamento bíblico.

O pastor batista admite que, em alguns casos, lhes têm perguntado se também são peregrinos. “Dizemos que sim e, se tivermos ocasião, explicamos quem somos. Mas apenas como afirmação da nossa fé, centrada em Jesus Cristo, para dizer que ele é suficiente para a nossa espiritualidade.”

Distribuíram algumas centenas de calendários com citações bíblicas e cartões a anunciar o site www.conhecerdeus.com. Desde final de Setembro, e sem publicidade, diz, a versão portuguesa deste site na Internet já teve 7.500 visitas.

O acolhimento da ação tem sido positivo, com “conversas amigáveis”. E os estudantes descobriram mesmo outro grupo de evangélicos irlandeses e brasileiros, que estão fazeendo uma ação idêntica nas proximidades do santuário.

“Crenças populares”

Sobre as divergências que os evangélicos têm em relação ao que se passa em Fátima, Paulo Pascoal afirma que “há muita religião popular que não tem Jesus Cristo no centro, que é mais centrada em crenças populares, sendo afirmações de religiosidade”. Mas esse não é “um problema exclusivo do catolicismo, também no meio evangélico existe”, diz.

A experiência de Fátima começou com Daniel Resende, um missionário evangélico brasileiro que esteve em Portugal, há seis anos. “Tornou-se uma oportunidade para os nossos estudantes de conhecerem um aspecto do catolicismo.” Desde então, o grupo tem realizado esta ação uma ou duas vezes por ano, quase sempre coincidindo com as peregrinações de Maio e Outubro.

(Fonte: Publico.PT / Adaptado por O Verbo)