segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Entenda o conflito na Faixa de Gaza

Israel bombardeia desde sábado a região palestina dominada pelo Hamas.
Saiba o que levou ao confronto entre israelenses e o movimento islâmico.
 
O bombardeio dos últimos três dias sobre a Faixa de Gaza foi um final violento para a trégua mal-sucedida dos últimos seis meses entre inimigos irreconciliáveis - o grupo palestino Hamas e o governo de Israel.

Os ataques já provocaram ao menos 320 mortes e deixaram 1.420 feridos em Gaza, além de dois mortos em território israelenses. Entre os mortos em Gaza, 57 são civis, segundo a ONU.

O cessar-fogo negociado pelo Egito, em vigor desde junho, foi desrespeitado diversas vezes pelos dois lados. Ele terminou em 19 de dezembro, rompido unilateralmente pelo Hamas.

O grupo islâmico acusa Israel de não suspender o bloqueio que impõe à Faixa de Gaza desde que o grupo radical assumiu o controle do território, há dois anos e meio.

O governo israelense responde que o Hamas não cumpriu a promessa de parar os ataques com foguetes contra cidades do sudoeste de Israel, nem reprimiu o contrabando de armas e explosivos para a Faixa de Gaza através de túneis na fronteira com o Egito , também bombardeados no fim de semana pela Força Aérea de Israel.

O bloqueio cria enormes dificuldades para a população de Gaza, este estreito pedaço de terra a oeste de Israel, na fronteira com o Egito.

Com apenas um quarto da área do município de São Paulo, a Faixa de Gaza tem mais de 1,5 milhão de habitantes. No futuro, este território deve fazer parte de um estado para o povo palestino.

A ONU já afirmou que as barreiras israelenses impedem o abastecimento de produtos básicos, como comida e remédios, e causam uma profunda crise humana nesse espaço marcado por pobreza e superpopulação.

Quando impõe barreiras à Faixa de Gaza, o governo de Israel, na verdade, mira o Hamas. O grupo, a maior organização islâmica nos territórios palestinos, é inimigo declarado do Estado de Israel e não aceita nem mesmo o direito de Israel existir.

Militantes do Hamas e de outros grupos armados infernizam a vida nos povoados e cidades israelenses vizinhos à Faixa de Gaza disparando mísseis caseiros, apelidados de "Qassams".

Os projéteis, de baixa precisão, têm raio de ação relativamente curto, mas o serviço de segurança israelense diz que sua versão mais recente pode atingir alvos a até 40 quilômetros de distância.

Os Qassams costumam causar mais destruição do que mortes. Só de novembro até agora, quase 500 mísseis e morteiros teriam sido disparados de dentro da Faixa de Gaza contra alvos do outro lado da fronteira. Uma pessoa morreu no sábado e outra nesta segunda feira.

Nos últimos dias, o governo israelense avisou várias vezes que não iria mais tolerar os foguetes, que causam insegurança constante entre os vizinhos da Faixa de Gaza.

Apesar da intranqüilidade e das mortes provocadas pelos palestinos, a resposta militar de Israel foi criticada inclusive pelo governo brasileiro, que considera os bombardeios desproporcionais à provocação feita pelo Hamas.

Retirado de G1.com.br

Israel declara fronteira com a Faixa de Gaza 'zona militar fechada'

Medida indica que o país prepara um ataque por terra à região palestina.
Três dias de bombardeios já mataram 310 e feriram mais de 1.400.

A área de fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza foi declarada "zona militar fechada" pelo Exército de Israel, informou um porta-voz militar israelense nesta segunda-feira (29).

Com isso, as estradas de uma área distante entre 2 km e 4 km da fronteira ficam fechadas para os civis que não tenham salvo-condutos militares, e só moradores da região podem transitar por lá. Jornalistas também são banidos.

A justificativa é que militantes palestinos podem retaliar, lançando foguetes, os ataques israelenses ao território ocorridos desde sábado. Esse tipo de medida costuma prenunciar o lançamento de operações terrestres. O Exército de Israel concentra tropas na fronteira desde o início da ofensiva aérea.

 

 As operações aéreas israelenses em Gaza já mataram mais de 310 pessoas e deixaram ao menos 1.400 feridos, segundo Muauiya Hasanein, chefe dos serviços médicos palestinos. A Agência da ONU para refugiados disse que 51 dos mortos são civis, em uma estimativa conservadora. 

 

Ao mesmo tempo, segundo testemunhas, os bombardeios a alvos do Hamas na Faixa de Gaza continuaram nesta segunda, matando pelo menos sete palestinos, sendo seis crianças, segundo fontes médicas.

Um ataque na cidade de Jabaliyah, na zona norte do território palestino, matou quatro meninas, com idades entre um e 12 anos, da mesma família, que morava perto de uma mesquita que foi alvo dos ataques.

Outros dois menores faleceram em uma ação em Rafah, sul da Faixa de Gaza. O sétimo morto era um ativista do Hamas.

Um avião israelense bombardeou a Universidade Islâmica de Gaza, um dos redutos do Hamas, sem deixar vítimas, disseram testemunhas. Aviões de guerra bombardearam a sede do Ministério do Interior em Gaza, segundo fonte palestina.

Por outro lado, o lançamento de um foguete palestino matou um homem insraelense na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, segundo autoridades locais. No sábado, uma mulher morreu e quatro pessoas ficaram feridas na queda de foguete sobre casa em Netivot. 

Na Cisjordânia, um palestino feriu a facadas quatro israelenses no assentamento de Modin Illit.


'Guerra sem trégua'

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, disse ao Parlamento nesta segunda-feira que Israel está comprometida em uma guerra "sem trégua" contra o Hamas na Faixa de Gaza.

 Não temos nada contra os habitantes de Gaza, mas estamos comprometidos em uma guerra total contra o Hamas e seus aliados", declarou Ehud Barak.

 "A contenção que temos observado é uma fonte de força. Lutamos com uma vantagem moral. Eles disparam contra civis deliberadamente. Nós encurralamos os terroristas e evitamos, na medida do possível, atingir civis quando a gente do Hamas atua e se esconde intencionalmente em meio à população", acrescentou.

Já o negociador chefe palestino, Ahmed Qurie, disse que o processo de paz patrocinado pelos EUA está suspenso por causa das ofensivas em Gaza. "Não há negociações e não há maneira de haver negociações enquanto estivermos sendo atacados", disse a jornalistas.

A operação "Chumbo endurecido" é a mais violenta pelo menos desde a ocupação israelense dos territórios palestinos, em 1967.

A tensão cresce na região desde o fim, em 19 de dezembro, da trégua de seis meses entre Israel e o Hamas na região. O frágil cessar-fogo foi rompido unilateralmente pelo Hamas. Nos dias seguintes, houve ataques com foguetes palestinos a Israel, seguidos de ameaças de reação israelense, até o ataque iniciado no dia 27.

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, disse à AFP que Israel permitiu, neste domingo, a passagem de 21 caminhões com utensílios médicos e grãos para a população de 1,5 milhão de pessoas do empobrecido território palestino.

Retirado de G1.com.br