terça-feira, 10 de março de 2009

Religiosidade diminui nos Estados Unidos

O sentimento de religiosidade está passando por um retrocesso nos Estados Unidos, com o dobro, desde 1990, da proporção de americanos que se dizem agnósticos, num país com 76% de cristãos, e onde os protestantes evangélicos tornam-se mais e mais numerosos, segundo uma ampla enquete universitária.

A American Religious Identification Survey, realizada junto a 54.000 adultos em 2008 pela Universidade Trinity College (Connecticut, nordeste), é a terceira desse tipo desde 1990. Uma segunda pesquisa foi feita em 2001.

O estudo testemunha um recuo do cristianismo: 76% dos americanos se disseram cristãos em 2008, contra 86,2% em 1990.

Os protestantes são apenas maioria com 50,9%, distribuídos em suas grandes linhas tradicionais (batistas, metodistas, luteranos…), contra 60% há 18 anos. Os católicos são a primeira comunidade religiosa em constante progressão em número, acarretada pela imigração hispânica (57 milhões em 2008 contra 46 milhões em 1990).

Os católicos, maioria tradicional no nordeste devido à imigração histórica irlandesa, principalmente em Massachusetts, Connecticut e Rhode-Island, regrediram muito nessa região.

Representam agora 36% dos adultos contra 50%, em 1990. Em revanche, no Oeste americano, a presença dos católicos é muito forte, com seu percentual passando de 23%, em 1990, no Texas, a 32% hoje; e de 29% na Califórnia a 37%, agora.

“O declínio do catolicismo no nordeste é mais espantoso. Mas, graças à imigração e ao crescimento natural da população hispânica, a Califórnia é agora mais católica, proporcionalmente, do que a Nova Inglaterra”, comenta Garry Kosmin, um dos autores da enquete.

A tradição protestante evangélica, muito próxima da Bíblia, e que compreende os anabatistas, os menonitas e os pentecostenses, principalmente, é a mais extensa (34% dos americanos). Esta corrente está ligada ao sucesso dos “novos cristãos” e dos megatemplos carismáticos que atraíam apenas 200.000 fiéis em 1990 contra 8 milhões, hoje.

Ao mesmo tempo, o sentimento religioso regride em termos totais, com 15% dos americanos afirmando não se reconhecer em “nenhuma religião”, ou seja 4,7 milhões de pessoas, a metade agnósticas, a metade atéias. Eles eram 8,2% em 1990 e 14,1% em 2001.

“Durante nosso estudo em 2001″, já havíamos remarcado um aumento dos agnósticos “mas pensávamos que fosse uma anomalia”, comentou Ariela Keysar, coautora do estudo. “Agora sabemos que não é assim. O grupo dos que não se identificam com nenhuma religião é o único a ter aumentado em todas as regiões do país”, destaca ela.

Assim, a região menos “religiosa” do país é a Nova Inglaterra (nordeste) com 34% de agnósticos em Vermont, 29% em New Hampshire e 22% em Massachusetts.

A religião judaica recua igualmente, representando 1,2% da população, ou seja 2,7 milhões de pessoas em 2008, contra 3,1 milhões em 1990. Os muçulmanos avançam: representaram 0,6% da população adulta americana em 2008 (ou seja 1,3 milhão) contra 0,3% em 1990 (527.000).

Os mórmons se mantêm numerosos: 3,1 milhões agora contra 2,5 milhões em 1990 conservando a mesma proporção (1,4%).

Fonte: AFP

Pastor morto em igreja nos EUA desviou do 1º tiro com Bíblia


O pastor Fred Winters, que morreu no último domingo (8) após disparos feitos por um homem em sua igreja, no estado de Illinois (EUA), conseguiu desviar da primeira bala com a ajuda da Bíblia, informaram fontes policiais.

No tiroteio, três pessoas ficaram feridas, incluindo o autor dos disparos.

O atirador falou rapidamente com o pastor antes de disparar contra ele com uma pistola semiautomática. A tragédia não foi maior porque os fiéis conseguiram detê-lo. Dois dos fiéis ficaram feridos ao tentar conter o agressor.

A polícia disse que o reverendo conseguiu escapar do primeiro tiro com a ajuda da Bíblia, em uma cena que as testemunhas disseram ter sido horripilante, mas alguns chegaram a pensar, em um primeiro momento, que se tratava de uma encenação.

“Pensamos que se tratava de uma espécie de interpretação dramática”, disse à imprensa local Linda Cunningham, uma testemunha, que ressaltou que, após o primeiro tiro, a única coisa que via eram os restos da Bíblia destruída pelo impacto da bala.

A polícia disse desconhecer se o reverendo e o responsável do crime se conheciam antes. “Não sabemos a relação [entre o homem armado e o pastor]“, disse à imprensa o agente Ralph Timmins.

O atirador e uma das vítimas, Terry Bullard, de 39 anos, foram atendidos no Hospital de St. Louis. A situação de Bullard é delicada, segundo Laura Keller, porta-voz do hospital, que não revelou detalhes sobre a situação do agressor.

A outra vítima, Keith Melton, recebeu atendimento médico no Centro Médico Gateway Regional e teve alta, segundo a porta-voz do centro Kate Allaria.

Segundo o site da igreja, Winters, pai de dois filhos, foi presidente da Associação Batista Estadual de Illinois e professor-adjunto do Seminário Teológico Batista do Meio-Oeste. A igreja na qual aconteceu o incidente tem 1.200 membros.

Fonte: G1