terça-feira, 5 de maio de 2009

O HOMEM DO CÉU: IRMAO YUN E A FASCINANTE HISTÓRIA DA IGREJA PERSEGUIDA NA CHINA.


Quando perguntaram para mim se eu já tinha lido o livro do Homem do Céu, logo pensei que era mais um modismo literário no Brasil. Depois de muito tempo estava eu ministrando a Palavra do Senhor numa das nossas igrejas no sul de Santa Catarina e de repente sem eu esperar ouvi uma das nossas jovens perguntar: Pastor você quer emprestado o livro do Homem do Céu? Meio sem jeito falei para ela que tinha este livro na minha biblioteca virtual mais mesmo assim ela fez questão de me emprestar o livro.

Sem titubear peguei o livro e levei para casa. Como pastor, professor de teologia e pesquisador cristão sei do modismo abestalhado de livros que tem na estante de muitas livrarias por ai. Sou de fato seletista quanto a literatura evangélica eu não gasto o meu dinheiro em vão com aquilo que não glorifica a Deus e também não está plasmado em sua santa Palavra e na doce história da igreja em seus vários formatos.

Quando cheguei em casa comecei a folear o livro e percebi que era um livro biográfico que narrava a história de um homem que viveu no período crítico da história da China Comunista. Sempre gostei de ler livros da Igreja Perseguida, sempre fui desafiado pelos passos constantes e firmes desses amados irmãos sem rosto que enfretaram e enfrentam a fúria da malignidade mais permanecem fiéis a Deus diante do drama humano.

Quem não se encanta com os relatos do Irmão Andre da "Missão Portas Abertas?" Quem não fica encantado com os relatos quase sulrealistico da igreja perseguida espalhadas pelo mundo? seu sangue, seu brilho e sua dor.

O que falar daqueles irmãos amados que foram perseguidos por Hitler entre eles estava o poeta, teólogo e pastor Dietrich Bonheffer que foi enforcado em virtude do nazismo déspota.

O que falar do irmão Ivan Moiseyev morto na antiga União Soviética em virtude de sua fé. O que falar da nossa irmã Corrie te Boom que foi tambem presa com requinte de brutalidade no período do amalucado e infernal Hitler. Deus pela sua graça transformou aquela dor em pétalas para a igreja espalhadas no mundo todo e como dádiva para todos nós Corrie escreveu alguns livros inpirativos como “Cartas nas Prisões e Refúgio Secreto que mais tarde virou filme.

O que falar de Richard Wurmbrand que durante 14 anos ficou preso na Romênia em virtude da sua fé. Ele foi a voz da Igreja Subterrânea mais jamais negou a sua confiança na pessoa bendita de Jesus Cristo perante seus algozes que tentaram sem sucesso desbaratar a sua fé no Cristo Crucificado.

Não foi em vão que John Foxe (1516-1587) pesquisou sobre a vida daqueles amados irmãos do passado que em virtude da sua fé enfrentaram leões, reis, políticas injustas, martírio por que eles sabiam como dizia os moravianos que o "Cordeiro é Digno". Em seu livro “O Livro dos Mártires" o inglês Foxe nos ensina que devemos olhar para a história da igreja perseguida e extrair dali lições para a nossa vida.

Alguns anos atrás estive junto com o missionário Zig Fried Ziuns ministrando a pastores e foi um momento muito especial. Naquela ocasião eu ministrei sobre "A Nossa Ilha de Malta de Todos os Dias", era uma abordagem da viagem cansativa e difícil do Apóstolo Paulo rumo á Roma a capital do Império. O apóstolo dos Gentios também foi perseguido e enfrentou ao longo do seu ministério muitas prisões em virtude de sua fé e por causa disso mais tarde ele foi morto e enterrado como indigente num dos cantões do vasto Império Romano.

O missionario Zius também naquela manha relatou sobre a igreja perseguida em Cuba e não teve ninguém que ficou de olhos secos diante do amor e dedicação dele em prol da igreja perseguida cubana. Como anjo de Deus para a igreja na ilha de Fidel Zius sempre diz em tom de alegria que a fé ali é mais cara e que Jesus Cristo garantiu o IDE e nao a Volta.

Um tempo atrás junto com alguns missiólogos no Brasil eu fui convidado para fazer o prefácio do livro de um angolano que viveu também num período de perseguição e guerra em seu país. Em seu livro "Antes que eu me Esqueça" Castanheira narra com detalhe a brutalidade da guerra que assolou Angola e como a igreja sobreviveu mediante a dor e a crise e como Deus chamou ele para a obra missionária.

A história da Igreja precissamente a história da Igreja Perseguida que tem seu inicio em Atos dos Apóstolos como nascedouro da perseguiçao sempre me chamou a atençao por isso logo que folie o livro do Irmão Yun que em chinês significa "Nuvem de Testemunha" pude penetrar no limiar de uma igreja que padece por Cristo ao mesmo tempo que é fiel ao seu Senhor, percebi que o Título "Homem do Céu" nada mais era do que o seu brado para livrar a igreja da brutalidade dos soldados chinês.

Quando minha esposa Cida Lopes que tem um coração apaixonado por missões começou a ler o livro so descansou quando terminou, pois Paul Hattaway que historia a vida de Yun tem a especialidade de nos colocar cara a cara com a igreja doméstica chinesa e sua obstinação por Cristo o Senhor.

O Escritor Carl Lawrence que morou em Hong Kong e também em outras regiões da Ásia de 1964 até 1979 nos mostra o quanto a igreja Chinesa sobre o tacão do comunismo e das idéias complexa de Mao Tse Tung não só sobreviveu a dura brutalidade marxista mais cresceu em meio ao vale de dor e lágrimas.A igreja doméstica chinesa tem muito a nos ensinar sobre obediência e fidelidade a Deus em meio ao caos da Cortina de Bambu como também a humildade e a reverencia de amar a Palavra santa de Deus.

Quando convidei uns dos diretores da "Missão Betânia no Brasil" pastor Cícero Bezerra para ministrar em nosso Acampamento de Verao e também na igreja ele me convidou para ouvir o irmão Yuon que iria estar no Brasil.

Convidei os líderes da nossa igreja para irmos ouvir o Irmão Yuon e perceber os caminhos de Deus na igreja chinesa. Nos hospedamos no Seminário Teologico Betania em Curitiba e de fato foi um tempo precioso para todos nós ouvirmos aquele servo do Senhor.

Percebemos nas entrelinhas do seu coração que seu único motivo era Deus. Yun mostrou de maneira prática aquilo que o místico Sào João da Cruz falou em palavras quando bradou: "O meu motivo eis Tu Senhor, o Senhor é o meu motivo" Com uma convicção profunda e de uma humildade contagiante o Irmão Yun testemunhou e chorou pela a igreja na China e da Europa.

Com simplicidade que encantava os ouvintes mais como embaixador de um Deus que o chamou para uma nobre tarefa Yun levou seu chamado até as últimas consequencias sempre com a certeza que tudo isso era a graça de Deus em sua vida simples. Ele foi uma testemunha fiel num período complexo da história da igreja doméstica na China.

Yun teve a dádiva de decorar todo o Evangelho e guardar em sua mente e coração pois Deus preparava ele para uma missão importante que era ser um prisioneiro nas geladas e duras cadeias chinesa. Ali onde a Bíblia tinha sido queimada e era proibido falar de Deus este homem do céu como a igreja chinesa chama para ele, foi fiel ao seu Senhor até o fim.

Yun em seu testemunho no Brasil nunca exaltou os seus sofrimentos que na pespectiva humana é com requinte de crueldade mais sempre exaltou a Cristo e a sua Palavra e Deus como soberano. Ele mostrou para nós como os cristão sobreviveram no período negro de Mao TSE Tung e como ele viu a glória de Deus numa China que levantava a bandeira do ateísmo e do comunismo hermético.

Naquela manha junto com os pastores nos vimos um olhar de um santo que deseja que Cristo fosse exaltado, sua aparencia é simples, sua formosura nao esta conectada com o narcisismo moderno dessa geraçao fugaz, sua beleza esta em sua fé e paixao pelo Cristo ressurreto. Seu testemunho nas prisões chinesas nos levaram as lágrimas em ver sua fidelidade em meio a dor e perceber a graça de Deus com aqueles presos que foram alcançados pela divina providencia nas duras prisoes daquele país ateu.

Já cansado e abatido Yun convidou os pastores para orar pela igreja européia para que ela se volte com fervor para Cristo. Exilado na Alemanha ele percebeu que a teologia liberal, o pragmatismo e o pós modernismo fragmentou as igrejas européias e algumas ate já foram vendidas para templos mulçulmanos.

De volta para Jerusalém era o brado de Yun se referindo que devemos levar o evangelho santo de Jesus Cristo para a Europa que foi o berço da evangelização e que hoje esta nas cinzas de um ateísmo disfarçado cujo a figura de Deus e a salvação em Cristo se tornou peça de museu religioso.

De fato nosso coração foi aquecido como disse John Wesley naquela experiencia que ele teve em 24 de maio de 1738 na rua Aldersgate em Londres quando foi lido o prefácio de Martinho Lutero de Romanos. Wesley disse: "Senti meu coração estranhamente aquecido". Assim também fomos aquecidos pelo testemunho do Irmão Yun que traz em sua insígnia a Soli Deo Glória ( a Deus somente a Glória).

No final abraçamos o Irmão Yun e mesmo sem falarmos uma só palavra em virtude da barreira linguistica o nosso coração estava familiarizado pois, somos filhos do mesmo Pai e temos o mesmo Espírito Santo e somos salvos pela Graça por intermédio de Jesus Cristo o filho de Deus sobre o qual um dia todos os joelhos se dobrará e toda lingua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai.

Algo que encheu o nosso coração é que duas palavras que nos conectam com o trono da graça nao precisavam ser interpretada, pois ele também dizia com nós "Amém e Aleluia".

Como aquela irmanzinha que no final do culto perguntou para mim se eu já tinha lido o livro do Homem do Céu eu também faço a mesma pergunta para você que esta lendo este artigo.

Você já leu o livro do irmão Yun? O Homem do Céu? Se ainda não leu indico para você esta leitura educativa cheia de fé e aventura de um homem que entregou a sua vida para exaltar a Deus na China Comunista.

Talvez o mesmo cantico de criança que soou nos ouvidos do grande teólogo Agostinho no verao de 386 d.C. quando ele tinha 32 anos e estava angustiado em Milao no jardim da casa do seu amigo Alípio, posssa soar para voce também. O cantico dizia: Tolle, Lege! Tolle, Lege! que significa "Pegue e Leia! Pegue e Leia! na ocasiao Agostinho pegou o livro de Romanos e leu o capítulo 13 e Agostinho foi transformado.

É claro que Agostinho leu Romanos palavra santa de Deus que faz parte do Canom Bíblico, mais Deus pode usar este livro para despertar sua paixao pelas almas, renovar seu compromisso com a evangelizaçao e trazer alegria para o seu coração. O canto é o mesmo "Tolle, Lege".

Encerro minha reflexão com as belas palavras de Agostinho que podem ser aplicadas na vida deste servo de Deus e de todos nós como motivo e consolação. Ele disse: Deus teve apenas na terra um Filho sem pecado,mais nenhum sem sofrimento.

Carlos Augusto Lopes,É um dos Pastores da ADI, secretário do conselho de pastores ( Conpet, Coordenador teológico do CAD-Brasil) estudou teologia no Semib e recebeu o grau de bacharel em teologia pela FTSA é docente do Seminário Teológico Betânia na areia da teologia poemênica e Mestre em Teologia pelo IBE, se formou como escritor pela editora Betânia (MG) tem realizado estudos e pesquisas em várias áreias no campo teológico e tem dedicado o seu tempo de maneira integral na exposição bíblica na educação teológica em artigos no pastoreio e em treinamentos para lideres. Reside em Tubarão SC

NOVOS MODELOS DE IGREJA: ENTREVISTA COM O PASTOR CARLOS LOPES E FACULDADE TEOLÓGICA SUL AMERICANA.

1. Qual é o propósito de sua igreja? (para que sua igreja existe?)

C. O Propósito básico da minha igreja é glorificar o nome de Deus e servir aos homens com o evangelho integral.
Nosso propósito tem como moti a proclamação genuína do evangelho de Cristo sendo relevante sem perder a essência. Pensando assim nosso propósito é a exaltação de Cristo servindo a Deus e ao próximo.

2. Como sua igreja foi fundada? (descreva os fatos mais relevantes)

C. Minha igreja foi fundada em 1983. Ela é oriunda da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Tubarão Santa Catarina. Neste período um grupo pequeno de pessoas idôneas decidiram em deixar a igreja e começar um novo trabalho.

Esse grupo não iniciou uma igreja em virtude de sua saída, mas na caminhada de sua trajetória pessoas não crentes foram se agregando a eles e por fim iniciou um tímido trabalho de reunião e edificação mútua nascendo então a Igreja Evangélica Assembléia de Deus Independente.

Hoje esta igreja é uma fiel testemunha do evangelho aqui no sul de Santa Catarina. O sul é um desafio missionário e a igreja ADI, tem penetrado em várias camadas da sociedade com o evangelho integral.

3. Quais os princípios bíblicos mais importantes na plantação e crescimento de sua igreja? (em especial, a fundamentação bíblica que orienta seus métodos e modelos de crescimento)

C. Muitos métodos têm sido apresentados hoje no cenário brasileiro como cardápio de crescimento e plantação da igreja. Acredito ser ferramentas que ajudam a igreja, todavia quando focamos nossa igreja nesses métodos penso ser eles um fim em vez de um meio.

Nossa igreja não tem por assim dizer adotado um método contemporâneo como muitos têm feito. Neste sentido temos uma visão ortodoxa cúltica. Nosso crescimento vem da forte ênfase que damos à exposição bíblica fiel. Temos adotado a ênfase na comunhão e da felicidade cristã através da Bíblia.

Acreditamos piamente na exposição bíblica e no culto congregacional. Temos vários tipos de trabalho que chamamos de departamentos, porém nosso maior crescimento não vem dos grupos de células, ou outro expediente mais vem da forte ênfase do testemunho missiologal de cada membro, do culto congregacional e da exposição eloqüente da Bíblia.


5. Em relação ao processo de plantação de igrejas, qual ou quais modelos vocês têm utilizado? (igreja em células, G12, redes, igreja com propósitos, se você usa mais de um modelo, explique como você os combina) C.

Não temos usado nenhum desses modelos. Cada igreja tem o seu Dna a sua visão de cidade o seu Sitz In Leben. Temos adotado como carro chefe e fonte mantenedora o culto congregacional e a exposição bíblica.

Temos agora implantado na nossa igreja grupos de reuniões nas casas dos irmãos. Temos dado forte ênfase ao culto contemporâneo no sentido de alcançar os jovens universitários, que trabalham, estudam etc, numa linguagem não técnica de uma teologia fria, mais uma linguagem clara, direta, puritana sem jamais negociar os pilares da reforma e da sã doutrina. Cremos na hermenêutica da vida, da cidade e por isso colocamos a Bíblia em todas essas esferas.

6. Quais são as principais características/ênfases do (s) modelo (s) de plantação de igrejas que você utiliza?

C. Na nossa experiência como igreja aqui na região sul de Santa Catarina temos iniciado as congregações ou plantações de igreja a partir de uma base já estabelecida ou seja algum grupo de irmão que moram naquela localidade vivem aquela realidade e estão dispostos a levar a obra a diante. O fator “ irmão”, é importante para começarmos uma igreja.

A realidade sulista é diferente aqui plantar igrejas tem que ter uma base corrente, ou seja, um grupo. Essa é nossa realidade as igrejas que temos nasceu desse modelo. Não basta simplesmente abrir uma porta de igreja isso é algo básico a chave da realização é manter este trabalho. Pensando assim iniciamos sempre com uma base estabelecida dando lugar ao sacerdócio de todos os crentes.

7. Quais são os pontos positivos nesse modelo? O que está funcionando bem? C.

Este modelo adotado por nós e que estamos também abertos para outro tipo de modelo bíblico tem funcionado por que os irmãos daquela localidade têm desenvolvido seus ministérios com liberdade. Esse desenvolver ministério é sem dúvida a força leiga “ laos”, a força do povo que quer fazer a obra de Deus.

É verdade que nós pastores estamos na supervisão mais eles realizam o trabalho. Com este modelo temos abertos várias igrejas-congregações em bairros da nossa cidade e até mesmo em outras cidades. É certo que nem tudo é um mar de rosas existem espinhos na larga caminhada, porém é um premio satisfatório.

8. Quais são os aspectos negativos no modelo? O que não está funcionando muito bem?

C. Como em todo trabalho existe o lado belo e existe o lado sombrio. Talvez a maior
dificuldade neste sentido é um forte engajamento dos irmãos não da congregação mais da igreja sede que poderiam ajudar no aspecto cúltico, evangelistico etc.

A própria presença dos irmãos serve sem dúvida de incentivo e apoio para um grupo que está começando um trabalho novo. Outros aspectos que enfrentamos ainda é o fato de termos adotado que o culto de domingo deve ser realizado na sede. Nas congregações os cultos são semanais.

Porem sabemos que a cultura sulista é de domingo. Logo teremos que ter um programa neste sentido para as congregações. Outra dificuldade é começarmos algo no campo prático dos bairros com ação social. Por enquanto a igreja é somente igreja e não uma ajudadora no campo social. Creio que devemos pensar nisto, pois somos herdeiros de uma missão integral oriunda do CBE, Clade, Lausanne etc como também herdeiros de confessionalidades que refletem a Bíblia e seus desdobramentos.

9. Qual é o perfil ideal para um plantador de igrejas?

C. Um perfil para um plantador de igrejas primeiro deve ser bíblico. Aqui reside o verdadeiro perfil de qualquer ministério principalmente quando esse ministério está começando.

Creio também que um plantador de igreja deve conhecer a realidade cultural, regional do lugar aonde ele vai investir sua vida e o reino. Ele Também deve ser dotado de total abertura para Deus e sua multiforme.

Quando digo isso penso que ele não deve estar engessado com o sistema frio e gélido oriundo as vezes de um ritualismo e liturgia fria e descontextualizada.
Ele deve ser pessoa que ame a Deus, saiba enfrentar desafios, e reinventar o ministério a partir de seu contexto e não como um papagaio num redemoinho de imitação enlatada desfocal. Como disse Barth ele deve ter na mão a "Bíblia" e na outra o " Jornal"


10. Qual é o processo de escolha, treinamento e desenvolvimento do(s) plantador (es) de igrejas?

C. Em nossa igreja temos uma Seminário Teológico do Sul (www.seminarioteologicodosul.blogspot.com) onde capacitamos pessoas para os seus diversos ministérios. O processo de formatação de obreiros é feito a medida que compreendemos sua chamada, seu despojamento, seu dom. O Seminário a Capacitação serve para todas as igrejas como suporte ministerial e nao como referencia vocacional, quem chama para o ministério é Cristo usando a Igreja e mais ninguém, tudo que foge disso é simonia e política eclesial baixa.

É a partir deste adendo que surge a capacitação. Geralmente aqui em nossa igreja as pessoas que iniciaram trabalhos de igrejas novas já tinham uma experiência vivencial e bíblica.

Temos também a visão de enviar pessoas para ser capacitada através de curso e envio a seminários e faculdades teológicas. O desenvolvimento deste ministério é feito de uma caminhada aonde juntos, trocamos experiência, informações, comunhão etc.

11. Como são assistidos (pessoal e financeiramente) o(s) plantador(es) de igrejas em sua igreja local ou denominação?

C. Em nossa igreja compreendemos que digno é o obreiro do seu salário. Temos também muitas pessoas que são bi vocacional, ou seja, trabalham em serviços seculares e ajudam na igreja como obreiros.

O corpo ministerial da minha igreja chamado presbitério, órgão que dirige a vida institucional e espiritual da igreja neste sentido é um misto de investimentos.
Por exemplo, tem ministros que recebem uma ajuda salarial da igreja, outros são aposentados e trabalham pelo amor da obra outros sao ministros integrais.


12. Quais são suas preocupações e expectativas quanto à plantação de novas igrejas no Brasil nos próximos 10-20 anos? C.

Minhas preocupações quanto à plantação de novas igrejas surge justamente da liderança que iremos deixar. A pergunta é qual será o nosso legado junto a igreja brasileira?. Acredito que todos nós temos uma parcela nesta grande tarefa de capacitação de obreiros sejam seminários, faculdades teológicas, Institutos Bíblicos, Missões, Ministérios Para-Eclesiásticos etc.

Uma igreja sadia deve brotar do chão da Bíblia como disse Eugene Peterson e não de modismos e teologias herméticas. Devemos também selecionar e não discriminar os futuros plantadores de igrejas.

Muitas pessoas, muitos plantadores de igrejas já querem iniciar a igreja e em pouco tempo querem que ela cresça. Isso não é errado, todavia errada é a motivação e a essência que é formatado isso. Nossa tarefa é ser fiel a Deus no ministério que ele nos tem confiado já os resultados é um eixo divino. Crescimento não é sinonimo de fidelismo como também a falta dele nao é expressão de fidelidade. Isso é sim na minha opiniao o pião girador do eixo divino.

O que se vê por aí é uma idolatria a números mais do que conteúdo. A Forma eclesial tem sido mais ventilada do que a Essencia, O status humanos mais do que a de ser servo do Senhor. O pragmatismo ebuluente e superficial mais do que a santa espiritualidade e a profundidade cristã. Como disse Sproul temos que ter raízes. Pesquisas apontam que técnicas humanas, psicologizacão e sentimentalismo tem tomado lugar da santa e potente Palavra do Senhor nos púlpitos. O orgulho humano oriundo dos gregos e romanos com sua força e seus dotes intelectuais tem eclipsado a maior de todas as honras que é ser chamados Filhos de Deus.

Hoje longe do realismo bíblico voce tem mais poder e mais respeito se voce tiver títulos, poder eclesial, reciclagem teológicas etc. Isso tudo é um parafuso do Reino de Deus e nao o Reino. O que temos que nos Gloriar é no Rei deste reino como diz a Bíblia. Fora disso, tanto pastores como plantadores, como missiólogos, teólogos e obreiros estao caminhando numa estrada estranha, perniciosa, cheia de aranha e bichos pençonhetos como disse C.S. Lewis.

Acredito que vivemos uma época complexa e isso produz em todos que são servos sinceros preocupações, pois o nervo central do cristianismo é a Bíblia e se ela for tirado do centro para dar lugar ao emocionalismo ao letrismo etc, perderemos a essência de tudo que é santo e consequentemente sacrificaremos a verdade no altar do mundo pós-moderno e pós-cristão como salientou Stott, Nancy Percey e Charles Colson.

Há história tem mostrado para nós que uma geração cristã forte é quando ela compreende aquilo que Francis Schaeffer disse ela precisa de Reforma “ Bíblia”, de Renovação “ Vida cristã, vida espiritual”, e Revolução Construtiva “ alcance profundo da verdade para uma geração sem verdades cristãs.

Como pastores para essa geração temos que nos preocupar mais temos que ser otimistas e rever a história e perceber que nos momentos cruciais da história da igreja Deus que é Soberano trouxe respostas claras mostrando caminhos de excelência.

Isso ocorreu com os Pais da Igreja, nos Concílios nicenianos, calcedônio, atanasiano etc. Também na Reforma Protestante e todo o seu desdobramento, no movimento anabatista no pietismo, no puritanismo, entres os moravianos, no metodismo, nos clássicos avivamentos etc.

O mesmo Deus que trouxe luz em períodos escuros de trevas é o mesmo Deus da história, Senhor absoluto do Mundo cuja rédias de tudo está em suas mãos.

Penso na igreja brasileira com otimismo uma igreja amadurecida por Deus e pelos embates da caminhada mesmo sendo nova. Uma igreja com fome de Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Chistus, Sola Fide, Sola Deo Glória.

Penso numa igreja preocupada não somente com teologias mas preocupa com a sã ortodoxia que caminha em direção integral que olha o homem integral que olha o mundo de forma integral que tem seu olhar para os céus e seus pés aqui na terra.

Uma igreja preocupada com vidas mais do que com belos prédios, com templocentrismo. Uma igreja que deseja que o Reino venha e que ele cresça neste mundo. Uma igreja que se apressa a orar, adorar e exaltar a Deus, mas também uma igreja que se apresse a proclamar o Evangelho, que sabe abraçar o ferido, o descamisado, o abatido, o injustiçado dessa sociedade falida por um falso sistema aprisionador.

Creio numa igreja que seja profeta e denuncie em nome de Deus a barbárie humana que não fica embebedada pelo fascínio deste mundo nem negocia a sua identidade por um prato de lentilha de uma politicagem gélida, diabólica, imoral.

Creio numa igreja que irá usar os meios de comunicação não como manobra curralista denominacional ou plataforma de exaltar o humano numa pseuda forma de estrelismo, mas que usará tudo para glorificar somente a Deus exaltar a sua palavra e proclamar a justiça e o Reino Santo.

Creio sim numa igreja militante e triunfante que irá expressar de maneira integral Deus para o mundo. Creio sim numa igreja formada de pentecostais sérios, tradicionais sérios andando pelos campos do mundo pregando o evangelho de Cristo e vivendo a práxis do amor, da justiça da comunhão e da paz na linda hermenêutica da Bíblia e da vida e que juntos celebrem a ordoxia, a ortopraxia e a ortopatia.

Creio numa igreja bíblica, missionária e pastoral que está preocupada com a glória de Deus e o anuncio sincero de sua palavra. Creio sim que podemos caminhar juntos como povo de Deus pelos campos do mundo proclamando a fé cristã não no tabuleiro da graça barata como disse o teólogo alemão Dietrich Bonheffer, mas na graça maravilhosa como quer o reformador genebrino João Calvino pois essa graça nos faz caminhar como igreja de Deus aqui no Brasil, pois como disse Jesus Cristo “Sem mim não podeis fazer nada”.

Encerro com esse dito pietista de séculos passados; Innecessarii veritas (unitas), in non necessarii libertas, in omnibus carita. “ Nas coisas essenciais, veracidade ou unidade, nas coisas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, amor.


Carlos Augusto Lopes,É um dos Pastores da ADI, secretário do conselho de pastores ( Conpet, Coordenador teológico do CAD-Brasil) estudou teologia no Semib e recebeu o grau de bacharel em teologia pela FTSA é docente do Seminário Teológico Betânia na areia da teologia poemênica e Mestre em Teologia pelo IBE, se formou como escritor pela editora Betânia (MG) tem realizado estudos e pesquisas em várias áreias no campo teológico e tem dedicado o seu tempo de maneira integral na exposição bíblica na educação teológica em artigos no pastoreio e em treinamentos para lideres. Reside em Tubarão SC.